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quinta-feira, agosto 21, 2003
Mais sobre a India... Aqui vai a ida, e a volta. Depois vem o recheio. (Don't expect me to be logical, or to make sense).
Ida...
O cáos já começou. E olha que foi antes mesmo d'eu subir no aviăo. Agosto é o męs oficial de férias na França. (Criativos, os Franceses. Gostam de fazer tudo igual, ao mesmo tempo). Em Agosto, partem ŕ procura do exótico: Tahiti, Martinique, Senegal. O aeroporto estava lotado, estourando. Alguns Franceses aventureiros foram mais originais, pegaram o aviăo comigo. Destino: India.
O aviăo chegou tarde, năo tiveram tempo de limpá-lo. Tinha cobertor e travesseirinho usados no meu assento. Pacotes de salgadinhos, copos de plástico. Viva Air India!
As aeromoças, vestidas de saris industriais, eram mandonas e desagradáveis.
Sentei na penultima fileira de um voo lotadăo. Eta felicidade!
Pela primeira vez me senti realmente muito branca. Diferente. Perdida no meio dos Indianos.
O aviăo, velho. A porta do banheiro atrás de mim emperrava. Cada um que entrava ficava preso. Eram libertados ŕ base de gritos e chutes.
O moço do meu lado, magro, mas alto demais, branco e tonto, se expandia. Cotovelos, joelhos, pés que me invadiam.
Um cheiro forte de curry, parece que vem impregnado nas peles, cabelos, roupas dos meus companheiros de voo.
Estou ŕ caminha da India!
Conecção...
Me senti em casa no cáos, me senti em casa escutando a língua louquíssima deles, me senti em casa no trânsito, no hotel super luxuoso, andando nas ruas esburacadas, cheias de poças. Me senti em casa quando uma senhora com um bêbê microscópico me pediu esmola, quando paguei 300 rupees para entrar no museu e os locais pagavam 10, me senti em casa sendo branca num mar de negros. Me senti em casa uma hora atrasada para chegar no aeroporto.
Daí, me senti em outro planeta.
Em todos os (muitos) aeroportos por onde já passei, o processo era o mesmo. A gente chega, procura a linha aérea, faz o check in, entrega as malas, toma um café e embarca pelo portão x. Aqui, não. A gente entra no aeroporto (após apresentação da passagem). Existem máquinas de raio x para as malas no meião do salão. Passamos as malas, que recebem uma fitinha dizendo que está tudo em ordem. Depois é que fazemos o check in. Entregamos a mala (devidamente etiquetada e lacrada) e passamos por outro balcão (e outra fila) para tirar fotografia. Foto! Cada passageiro tira uma fotinho com uma webcamzinha, e a foto é impressa atrás do cartão de embarque. Ninguém me perguntou meu nome, ninguém olhou meu passaporte. Mas querem fotos.
Também pediram para mim preencher um formulário indicando se eu tinha dinheiro, máquina fotografica, relógio (!), etc. Fiquei num cantinho preenchendo o bendito formulário e depois ninguém me pediu! Tenho até hoje.
Depois passamos pela alfândega, e controle de pasaportes, onde só me pediram pra ver a bendita fotografia. Passamos por vários raios x, e finalmente chegamos ao portão de embarque!
Que aventura!
Volta ...
Sobrevivi! Pelo menos se o aviăo năo for atacado por terroristas. Daqui ŕ poucas horas estarei em casa... Achei que năo aconteceria nunca.
Por causa do blackout nos Estados Unidos muitos voos foram adiados e/ou cancelados. Cheguei no aeroporto de Delhi com antecendęncia. Tive que ficar sentada lá durante 7 horas. De madrugada nosso voo ŕ Bombai finalmente saiu.
Chegando ao aeroporto, e depois de subir e descer escadas, ser mandada ŕ vários balcőes diferentes, me colocaram num ônibus podre e me levaram a um hotel meio nojento num bairro de favelas ŕ la Bombai. Tudo aos custos de Air India. Queriam que ficássemos no mesmo quarto, o povo que chegou junto. Fizemos um mini-escândalo e conseguimos quartos separados. Parece que as coisas aqui funcionam ŕ base de reclamaçőes e uma leve agressividade. Quem reclama mais, quem grita, consegue o que quer.
Dormi, acordei, comi as refeiçőes horriveis do hotel, e com várias horas de televisăo no quarto, passou o dia.
Nos levaram de volta ao aeroporto. Mais uma dose de cáos. Toda vez (toda vez mesmo), que alguém faz fila num balcăo da Air India, eles fecham o balcăo. Fecharam o nosso. Quando voltamos ao fim da fila ao lado, inventaram que nosso voo estava lotado. O cansaço e a irritaçăo tomaram conta. Fiz outro mini-escandalo. Resultado: năo somente consegui meu cartăo de embarque, mas me colocaram na primeira classe! Assim, aquelas de subir a escada do aviăo e ficar numas super poltronas gigantes, com pésinho que sobe e tudo.
Ainda năo acreditei. Tenho a leve impressăo que văo perceber que sou uma impostora, e que văo me mandar de volta ao hotel podre...
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