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terça-feira, agosto 19, 2003


"Năo pode ser. Năo posso ser assim. Estar desta forma, existir. Por quę ? Será que todo mundo sente isso ? Essa esquisitice enquanto respira ? Pensa em cada bocado de oxigęnio que entra e que sai, depois, já estragado, já gás carbônico ? Eles sentem assim, da maneira que eu sinto ? Gostaria de saber se as pessoas ficam pensando sobre o ar ou se apenas respiram, de forma simples e vital. Queria saber se é mais agradável ser outra pessoa. Se é bom sentir-se outro. Num corpo mais gordo – será mais macio existir dentro de 90 kilos ? O gosto da boca, a sensaçăo de estar vivo, seria diferente ? Porque há um sabor de vida dentro da cavidade bucal. Há microorganismos vivos por todos os cantos da gente. Alguém aí sente isso ? Como eu sinto, desde menina, cócegas estranhas, que me inquietam e agoniam, por causa desses seres viventes, que tęm funçőes biológicas que nunca entendi. Quantas bactérias carrego comigo ? Por que, afinal, essa complexidade toda ? Essa chatice indagativa existencial ?
Por que năo sou uma burra ? Por que eu năo sou uma mesa ? Simples como uma mesa. Óbvia como uma mesa. Prática. Aceitável. Necessária."

Esse texto se econtra na capa de trás do livro que estou lendo no momento, Carta para Alguém Bem Perto de Fernanda Young.




Bruna 5:34 PM



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