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terça-feira, agosto 26, 2003
Paula
Hoje de manha, ŕ caminho do trabalho, lembrei dela. Era aluna da minha escola. Colega da minha irmă. Eu nunca fiquei conhecendo ela muito intimamente, mas me lembro de um dia, eu estava sentada no murinho da escola, e derrepente eu lembrei. Eu sempre soube, mas todo mundo esquecia. E lembrei. Paula só tinha um braço. O segundo terminava na altura do cotovelo. Aquele dia, tentei imaginar o que seria viver com um braço só. Pensei em todas as coisas que eu năo seria capaz de fazer. Em todos os problemas que teria. Paula amarra o tęnis sozinha. Ela joga vôlei. Ela corta bife sozinha. Ela viaja pelo mundo afora, carregando malas, mochilas, e casacos. Ela faz tudo que eu faço, só que melhor. E ela faz mais. Ela tem meninos que se apaixonam por ela, muitos meninos. E tem o sorrizo mais bonito do Brasil. Aquele dia, que estava sentada no murinho da escola, eu percebi tudo isso. Mas eu ainda năo tinha entendido que o que faz com que Paula seja tăo especial é simples: ela năo se faz de vítima. Ela sobrevive, e faz de tudo pra sobreviver da melhor maneira. Ela nunca reclamou da sua situaçăo. Queria ter sua força.
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