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segunda-feira, outubro 20, 2003
Queria poder dizer, ou escrever, alguma coisa que fizesse com que tudo voltasse ao normal. Ao tempo light e sem drama, que era minha vida, antes. Antes de um ano atrás, Novembro, quando tudo virou de ponta cabeça. Um menino entou na minha vida, assim, sem mais nem menos. Ele não foi convidado, nem bateu na porta. Simplesmente entrou. Năo pediu permissăo, e nem precisava.
E logo depois, algumas semanas, outra pessoa chegou. Dessa vez uma menina. E entre os dois, eles bagunçaram tudo. E até hoje, essa zona reina minha vida.
Antes disso, muito antes, conheci meu roomeite. A gente virou amigo, e logo depois, se apaixonou. E moramos juntos, e dividimos tudo. A vida, as experięncias, a pobreza de ser estudante numa cidade tăo maravilhosa e tăo cara. Ele me ensinou muito. E depois acabou. O amor foi-se embora. Assim como muitas vezes acontece com essas coisas. O que foi diferente no nosso caso, foi que viramos amigos. Grandes amigos. Ninguém acredita, até hoje. Fiquei conhecendo suas namoradas, e ele, meus relacionamentos. Uma vez, até aconteceu de um menino ficar com tanta raiva da nossa simples amizade, que me diz o que ninguém tem o direito de dizer: "Ou ele, ou eu". Năo tinha confiança nele mesmo, nem em nosso relacionamento. Não pensei duas vezes. Fui embora. Năo porque escolhi meu amigo. Năo se escolhe uma pessoa ou outra. As pessoas vivem todas no mundo, ao mesmo tempo. Năo existe escolha. Ninguém pediu pra vir pra cá. Entăo fui embora. Tiveram outros, e outras. Os meus outros tiveram que entender. E as meninas dele também.
E daí, mais ou menos um ano atrás, tudo mudou. Me apaixonei. E logo depois, ele também. Isso alguns meses depois de estarmos morando juntos, novamente. N?o foi bem por escolha, foi porque a gente foi morar em casas separadas, e sempre acabava um na casa do outro. Ele vinha morar no meu estúdio minusculo, e eu fiquei cansada de dividir o meu espaço pequeno e escuro com ele. Pedi para que ele também pagasse o aluguél, e mudamos para um lugar para os dois. Como amigos. Nunca teve mais nada entre nós. Desde o dia que resolvemos desmanchar, anos antes. Quando dormíamos num quarto só. Agora temos dois quartos. E duas vidas.
Mas agora tinha outra menina na história, e outro menino. Eles tinham dificuldades em entender nossa situaçăo bizarra, que para nós era normal. Meu menino foi-se embora. Encravou as unhas no meu coraçăo, mas foi-se embora. A menina dele năo foi. Ficou. E eles se amam. E tudo é lindo. Fora eu, que moro aqui, com ele.
Sei que isso é dificil de entender. Sei que eu também năo ficaria numa boa se meu amor morasse com sua ex, e disesse que estava tudo na paz entre eles. Eu também năo entenderia. Mas é assim. Ou pelo menos, era.
A menina chegou, e năo gostou. De mim, da situaçăo. E brigamos muito, eu e ela. Feio. E desde entăo, năo nos entendemos. Na verdade, nunca nos entendemos. E portanto, temos muito em comum. Ela ama uma pessoa que eu também amei. Uma pessoa que agora mora comigo.
Agora tudo mudou. Ele acha que cometi algum crime horrendo em năo me dar bem com a menina. Acha que tramo coisas horríveis contra eles. Acha que coisas que eu fiz, coisas que eu disse, năo serăo nunca perdoáveis. Mas eu nunca pedi perdăo, porque năo vejo qual foi meu crime. Năo vejo as coisas da mesma maneira.
Comecei a escrever esse blog meses atrás. Tive a idéia porque lí outros. E num deles, da maior blogueira do Brasil, lí as palavras de Bukowsky: "These words I write keep me from total madness". Entendi porque ele escrevia. E porque ela fez seu blog. Acho blogs muito cafonas. Por isso năo disse a quase ninguém que tinha um. A intençăo era escrever para năo enlouquecer. Um pouquinho de alívio, um pouquinho de diversăo. Algo ŕ fazer nas horas de tédio que invariavelmente aparecem em qualquer emprego de escritório. Năo fiz por mal a ninguém, năo queria fazer nenhum tipo de difamaçăo, nem provocaçăo.
Mas aconteceu o que năo devia acontecer. Encontraram meu blog. Leram tudo, tudinho. Do começo ao fim. E a raiva que tinham de mim só aumentou. E desde entăo, năo falam mais comigo. Năo querem minha companhia. Mal querem minha existęncia. Mas lęem meu blog. Religiosamente. Procuram informaçőes sobre eles mesmos. Querem saber o que eu penso, o que estou tramando. Eu moro aqui do lado. Divido a cozinha, o banheiro, o aluguél com ele. E ele năo fala comigo. Mas lę as besteiras que escrevo.
Pensei em mudar de endereço, em apagar tudo. Pensei em parar de escrever porcaria pra sempre. Afinal de contas, o que adianta, escrever besteiras num site que năo vai a lugar nenhum? Mas o negócio é o seguinte: năo escrevo pra ele, nem pra ela. Năo escrevo para meu amor que se foi, que também ficou conhecendo esse endereço. E também leu todas as letrinhas, desde o começo desse existęncia. Eles todos vęm colher informaçőes, que depois penduram na minha frente, e utilisam em argumentaçőes sobre tudo e nada. Mas tudo isso nőo é para eles. Escrevo porque preciso. Porque tenho nheca na cabeça, e como năo tenho um mar para mergulhar e me limpar das melecas dentro de mim, preciso me livrar delas de alguma outra maneira. Já disse que năo precisavam ler nada disso. Já disse que a internet é um oceano infinito de coisas lindas ŕ serem descobertas. Já disse que năo precisavam perder tempo procurando alguma coisa aqui dentro. Pode perguntar, que eu respondo. Direto. Ao vivo, por e-mail, por comunicaçőes telepáticas, telefone, de qualquer maneira que quiserem. Mas eles preferem voltar aqui, pra continuar a procura, a pesquisa que fazem dentro da minha cabeça.
Năo estou fugindo de ninguém. Năo estou mandando mensagem subliminais aos internautas conhecidos e desconhecidos. Năo estou publicando informaçăes particulares ŕ ninguém para o munde ver. Escrevo aqui, porque esse é meu espaço. MEU. Essa é a natureza dos blogs. Umbiguismo. Minha pequena, minúscula chancezinha de escrever o que penso, de tentar ser engraçada, e falar besteiras que ninguém aguenta mais ouvir. Porque tenho necessidade de escrever. Meus amigos, minha irmă, meus colegas, já năo queriam mais ouvir certas histórias. E eu queria continuar a falar nelas. E em vez de anotar em caderninhos e pedacinhos de papel pela casa afora, anoto aqui. Algumas delas, pelo menos. Ainda tenho caderninhos, envelopes, contas de telefone celular, com historinhas anotadas. Mas aqui tem mais. E juntas. E isso pode me prejudicar. E já prejudicou, e vai continuar.
Eu năo quero arranjar briga com ninguém. Năo estou tentando sabotar a vida de ninguém. Năo quero, principalmente, brigar com essa pessoa que dividiu minha vida todos esses anos. Mesmo se ele nunca mais me perdoe (palavras dele) e mesmo que isso for realmente o fim, o que vivi com ele, pra mim, foi bonito. E amigos assim năo crescem em árvores. E histórias assim năo se vive todos os dias.
Peço a vocęs, citados acima, e ŕ outros: Quem năo quiser saber do que escrevo aqui, năo leia. Quem quiser procurar razăes para me odiar, năo use esse espaço como desculpa. Quem năo gosta de mim, quem năo me entende, vai continuar a sentir tudo isso. E ler esse blog só vai aumentar o ódio dentro de vocęs. O que năo serve pra nada. Podem me odiar ŕ vontade, pelo que sou. Mas năo pelo que escrevo. Deixem meu blog em paz. Esse é meu espaço, onde coleciono minhas neuroses, minhas loucuras, que năo pertencem a vocęs.
Aos outros, que estăo pouco se fudendo com meu drama doméstico, desculpe. Se vocęs vęem pra cá para ter um pouco de cheap entertainement, prometo que ele já volta já.
Ninguém precisa se submeter ŕ novela mexicana da minha vida. Ao menos que queiram.
Quem tiver alguma coisa a dizer, podem falar a vontade. Tem "comments" aí do lado.
Obrigada. Até mais ver.
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