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quarta-feira, janeiro 28, 2004
Levei um chute na boca do estômago ontém. Năo estava esperando. Eu devia ter imaginado algo assim, mas minha inocęncia burra, e minha eterna esperança na bondade das pessoas, me fez acreditar que teriam um pouco mais de consideraçăo comigo. Sempre acho que as pessoas terăo consideraçăo comigo. Mas elas nunca tęm. Está na hora de aprender, mocinha. It's a jungle out there.
Perdi um amigo, perdi uma história, e toda uma parte da minha vida. Perdi um professor, com quem aprendi tantas coisas, tantos conceitos... Tudo isso por causa de mesquinharias. Minhas, dele, dela.
E a minha história de moradia nessa cidade continua. Sempre foi uma merda. Achava que com esse apartamento bonito, que lutei tanto pra conseguir, isso tinha terminado. Mas năo foi bem assim. As coisas năo mudam. A moradia continua uma merda. Um problema imbecil sem fim.
Essas coisas fazem com que eu me coloque num buraco, me sinta uma vítima. Estou presa. Năo tenho saída. A minha saída seria colocar outras pessoas no meu buraco, junto comigo. Aí sim, eu poderia pisar nos ombros deles, e ficar mais próxima ŕ saída. Mas como é que poderia resolver meu problema, colocando outra pessoa no meu lugar? Năo sou capaz de fazer isso. Pedi ajuda. As pessoas tentam me ajudar. Fazem proposiçőes. Mas esse buraco é meu. Năo tem saída, năo tem soluçăo.
Queria dormir, dormir muito tempo. Acordar daqui ŕ um ano, dois. A bela adormecida. Acordar em outra. Novo país, novo mundo, nova vida. Sem o príncipe, porque o príncipe é um chato. Mas outras circumstâncias. Queria o impossível. Sempre quis.
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