|
quinta-feira, fevereiro 12, 2004
Meu Marlboro Light
Ascendo mais um cigarro, e procuro o garçom. Preciso de mais um gin-tonic. O café está deserto ŕ essa hora. Só os velhinhos alcoolicos que aparecem por aqui. Os desempregados, desocupados. E eu.
Na hora que ascendo o último cigarro, um pensamento passa correndo. Será que eu teria que parar de fumar, de beber? Mas logo, o alcool me desperta desse sonho imbecil.
O menino homen me fez engolir sua porra. E depois, algumas horas depois, esse mesmo líquido amargo, mágico, se enfincou no meu útero. Me pergunto, mais uma vez, porque que a responsabilidade é sempre minha. Filho vem de pai e măe. Fifty/fifty. Eu que carrego, antes de nascer, entăo vira responsabilidade minha? Porque?
No começo usávamos camisinha. Mas a história é sempre a mesma. Estica pra cá, puxa pra lá, aquela sensaçăo ruim, o cheiro de plástico. E ele:
- Deixa pra lá. Năo preciso desse troço.
If you say so, baby. Ele disse que năo precisava, e acreditei. Ele nunca perguntou se eu precisava.
Ele está atrasado. Mas tudo bem, eu espero. Tenho tempo, muito tempo. E a decisăo já foi tomada. Năo quero essa sementinha dentro de mim. A essas horas já deve ter crescido. Talvéz nem aparente mais uma semente. Vai saber. Nunca fui uma de me interessar por essas coisas. Esse problema nunca foi meu.
Afinal de contas, filho de um poeta perdido no mundo, com uma menina-ninguém, năo merece nascer. Pra que perder tempo com essas questőes que já foram respondidas, antes de serem perguntadas?
Mas a imaginaçăo, as idéias, os sonhos (esses filhos da puta) persistem.
Eu espero, e finalmente, ele chega. E nesse momento, eu resolvo. Năo vou dizer nada. Esse problema é meu. Ele năo vai opinar, e năo vai saber. Termino o meu cigarro, invento uma história qualquer, e saimos passear pelo bairro.
Ficçăo anônina
|