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quinta-feira, julho 31, 2003
Queria sair pra correr. Me preparei toda, mas na hora de colocar o tęnis, o cachorrăo se tocou, e ficou latindo pra mim. Quer passear. Mas eu năo tenho autorisaçăo pra sair com ele. E ele năo me deixa sair. Que porra!
Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaargh!!!!! (Longo grito de raiva desesperado)... Cheguei em casa pra achar a minha amada maquina de lavar roupa cheia de roupa molhada. Nao se deixa roupa molhada em maquina. Tem que ligar maquinas quando estamos em casa pra estender. Mas tudo bem, acontece. Mas a Chanel colocou TUDO o que ela achou no cesto de roupa suja. Todas as cores misturadas. E ainda por cima um monte de roupa que se lava na mao! Porra de ignorancia dessa menina! Quer dar uma de mulherzinha do roomeite. Nem lavou uma roupa dela. Tudo minha e dele. Porque ela tem que se intrometer assim????
Năo tenho nada a dizer agora, entăo aqui vai uma foto:
quarta-feira, julho 30, 2003
Estou lendo Paul Auster. Mas fica difícil de aguentar a tristeza de seus textos no meu estado atual. Entăo leio tambem uma tipo de auto-biografia do grande Bukowsky. Mas fica difiícil resitir a uma vida completamente bębada e decadente como a dele. Preciso de leitura bobinha e leve...
Ufa. Cansaço. Sono. Ontem fomos passear com um povo doido. Janta, vinho, conversa. Chegando em casa, tarde, cansada, ainda briguei com o cachorro e seus donos. Quero minha cama, só isso.
terça-feira, julho 29, 2003
Vou acabar uma velha amarga, ressecada, mal amada e chata. Já entendi tudo.
segunda-feira, julho 28, 2003
Engasguei. Acho que foi uma mensagem do além. Estou sendo má?
Eu năo sou uma pessoa má. Juro. Sou uma pessoa razoavel. Legal. A maioria dos outros com quem trabalho, estudo, ou tenho amizade, me consideram legal. Entăo năo é que eu esteja sendo uma chata. Mas assim năo vai dar.
Chego em casa, ela está no meu telefone, fazendo as unhas na minha mesa. Ela fica no telefone, bastante tempo. O cachorro está aqui, e ele possui dois ENORMES negocios de comida de cachorro. Normal. Cachorros comen e bebem. E eu gosto de cachorros. Mas minha casa é pequena. E o treco do cachorro é MUITO fudidamente grande. E agora, lotado de formigas. Elas fazem um longo caminho, atravessando o chão limpinho da minha cozinha. Entro no banheiro. Ela tomou banho. Deixou um tanto de cabelo colado no box. O cabelo dela é grosso, e longo. Kilométrico. E parece que ela perde muitos por lavada. Dá pra vender em Gare de Leste e fazer perucas. Daria uma grana. Ela também conseguiu molhar o banheiro todo tomando banho. Inclusive meu tapetinho branquinho recém lavado.
Olha, me poupe. Năo vai dar. Quero minha casa, meu telefone, minha paz. Mas principalmente quero meu amigo, meu querido roomeite, de volta.
Socorro, minha santa Maricota. Ajuda.
Vou alí beber uma pinguinha. (Acho que vou virar alcoolatra esse męs...)
O chefe chegou. A semana começou. O povo lá de casa deve ter chegado (fugi de casa ontem, ainda năo vi ninguém). Acabou o fim de semana. Acabou a paz. Acabou a ilusăo do contado com o menino. Acabou a calma.
Voila. Uma tipica segunda feira.
domingo, julho 27, 2003
Esse é o cachorrăo. Ele está chegando aí. Adoro o cachorrăo. Só preciso sobreviver sua dona, e o roomeite...
>
> Vc ta onde menina branca ????
>
a menina branca năo mora mais aqui
saiu de casa
foi pra rua
encher a cabeça de imagens e sons
conhecer novos malucos
consumir nanobolinhas
beber vinho barato
aprender espanhol
fugir dos demonios
sábado, julho 26, 2003
Achei isso em casa:
ESPECIAL AGUARDENTE
AMANSA CORNO
Original mistura de cana de açucar e raspa de chifre de bode preto
FORMULA
Para abrandar: 1 cálice
Para amansar: 2 a 5 cálices
Para espritar: 5 a 10 cálices
Daí para frente, as consequencias correm por do fregues.
XEXEU - PERNAMBUCO
sexta-feira, julho 25, 2003
Estou lendo as poesias de Bukowsky. Acho que estou viciada. Tenho vontade de colocar todas elas aqui. Todinhas.
Poetry
it
takes
a lot of
desperation
dissatisfaction
and
disillusion
to
write
a
few
good
poems.
it's not
for
everybody
either to
write
it
or even to
read
it.
Charles Bukowsky
Sou uma otária...
Espere aí, quietinha, menina branca.
Năo diga nada, năo opine.
Muita pacięncia, quietinha.
Năo fique brava, năo reclame.
Năo veja pessoas, năo faça amigos.
"Menina branca falando estranho"
Fique aí, esperando.
Algum dia, talvez, eu passe te buscar.
Mas até lá, fique aí, esperando, quietinha.
pensando em você
estava.
justamente agora.
mas isso năo é novidade.
estou sempre pensando em você
todos os dias
todas as horas
ao acordar ao deitar no banho no metro no trabalho nas festas na bebedeira
sempre.
mas dessa vez estava pensando
que queria te esquecer.
queria tirar vocę de mim.
do meu corpo
do meu coraçăo
da minha alma.
te explusar para sempre.
queria voltar ao estado em que me encontrava
antes de te ver
antes de vocé.
mas nada adianta.
vocę veio pra ficar.
vocę veio pra me infernizar.
vocę veio
e năo vai nunca me deixar em paz.
nunca mais.
entăo estarei
novamente
sempre
pensando em vocę.
For Jane
225 days under grass
and you know more than I.
they have long taken your blood,
your are a dry stick in a basket.
is this how it works?
in this room
the hours of love
still make shadows.
when you left
you took almost
everything.
I kneel in the nights
before tigers
that will not let me be.
what you were
will not happen again.
the tigers have found me
and I do not care.
Charles Bukowsky
Minha obsessăo vai acabar comigo.
Puta que o pariu, CARALHO. A porra do sensor funciona sempre. Năo tenho direito a um diazinho de folga, Porco Dio? Me dę uma folga. Quero paz. Quero năo pensar. Quero năo doer. Quero năo querer. Mas năo adianta. Ele voltou. Acabo de resolver que nem o telefone eu atenderia. Estava tudo certo na minha cabeça. Mas ele voltou. Ele tem o poder. Ele pode.
quinta-feira, julho 24, 2003
Consegui nano bolinhas! Vou sobreviver o męs de Agosto. Santa Maricota, minha protetora!
A esperança é a ultima que morre, mas que morre um dia, morre...
quarta-feira, julho 23, 2003
Ufa. Ontem trabalhei como uma louca. A noite teve jantar na minha irmă doida. Bebi, fumei, comi. Quase năo durmi. Hoje parece que os efeitos de ontem ainda estăo no meu corpo. Trabalhar desse jeito fica muito duro. Ufa. Vou alí tomar mais um café.
segunda-feira, julho 21, 2003
Sábado de tarde fomos na piscina. Eu e o menino. Uma piscina em ar livre, com degraus de concreto em volta. Estava completamente lotada. Gente espremida em todo canto. Fila pra pagar a entrada, fila pra entrar na agua, fila pra encontrar um cantinho onde sentar. Programa de índio clássico. Pagamos 6 Euros, ficamos sentadinhos num canto onde năo tinha nem sol, longe da agua. Do nosso lado, um grupo de 3 amigas, jogando dados. E logo ao lado, 3 homens, jovens. Uns nem olhavam para os outros. Conversar, fazer amigos, tudo isso, fora de cogitaçăo. Europeu é mesmo um povo muito estranho...
La Fiesta Roja
Voltando da festa, de madrugada, percebi que em Paris năo existe horizonte. Quer dizer, horizonte, existe... Mas năo daqueles que vocę olha de longe, contempla enquanto pensa na vida. Aqui só existe o contorno dos prédios do outro lado da rua. E atrás desse contorno, via-se a luz do sol, antes mesmo dele nascer.
Normalmente os homens (aqueles seres estranhos que vieram de outro planeta) săo muito diferentes e esquisitos, mas adotando algumas regras basicas, conseguimos pelo menos obter uma reaçăo mais ou menos esperada. Quer dizer, quanto mais chatas e distantes somos, mais eles gostam. Mulheres apaixonadas e grudentas fazem com que eles voltem ao seu planeta natal definitivamente. Romantismo é considerado brega e desnecessário.
Mas o meu menino é completamente diferente. Nunca pode-se adivinhar a reaçăo que está pra chegar. Se eu ligar, năo funciona. Se eu năo ligar, tambem năo. Ele some, e reaparece. Sem razăo e sem explicaçăo. Mas ele sabe. Tem sensores que entram na minha mente e medem os níveis de insegurança, desespero e interesse. Quando os primeiros dois baixam, e o último aumenta, ele aparece. Imediatamente. Sem falha. Os sensores tambem informam de quanto eu resolvo que năo vale a pena passar por esse sufoco. No momento exato que resolvo desistir de meus sonhos, e viver minha vidinha mediúcre, no momento que vejo que o que eu sinto é relamente uma ilusăo, os sensores avisam. Daí ele volta, e deixa claro que devo sonhar, e devo sofrer, e que mesmo năo dando certo, vai dar certo. Ele deixa claro que tudo é possível, e que năo devo desistir.
Santa Maricota, me dę forças! Porque será que nós, mulheres nativas desse planeta, não podemos possuir sensores?
Medo da Morte
Minha măe, que está estudando astrologia, diz que eu năo lido bem com a morte e a doença. Coisa do meu signo, ou minha lua, ou algo assim. Acho difícil alguem lidar bem com essas coisas. Muito difícil.
Minha amiga tem duas filhas, crianças. A amiga dela tambem. Essa amiga estava com a filinha mais velha (de 5 anos) um pouquinho doente, com febre. Ela deu um suco pra menina, e deixou ela dormindo. Uma hora mais tarde, voltou pra vę-la. A criança estava morta. Já estava azul.
Como é que alguem pode lidar com isso numa boa? Eu sei que a morte é uma passagem, parte do ciclo, natural, e o fim de todos nós. Tudo uma questăo de tempo. Bla, bla, bla. Mas năo dá pra lidar com a morte de uma criança assim. Como é que se pose justificar, filosoficamente, ou religiosamente, a morte de uma menininha de 5 anos?
sexta-feira, julho 18, 2003
Olha só, eu năo procuro, năo, mas essa ideia năo para de aparecer na minha vida, de diversas formas:
Se tudo tá muito bem, o texto vai muito mal.
Bruna
Será que estou inventando desculpas para meu estado?
Sao 3:00 horas da tarde, ainda năo almocei. Estava no telefone, e o menino da recepçăo colocou um bilhetinho na minha mesa:
I'M GONNA MAKE YOU CRY ...
Estou tendo um dia daqueles.
Dia infernal do caralho no trabalho. Estou querendo matar todo mundo. Sorte deles que estăo todos de férias!
Mas tudo bem, tudo bem. Ontem tive uma noite linda. Afoguei minhas máguas com risos e novos amiguinhos. Fomos na vernissage do grande Joe. O trabalho dele estava lindo, e a exposiçăo tambem. Levei minha irmă, que levou Maria, que levou uma cambada de sul-americanos malucos. Ficamos sentados na calçada do lado de fora da galeria, e depois fomos comer crępes. Rimos muito, falamos besteira, bebemos vinho barato. Conversamos sobre o Pequeno Príncipe, bactérias nos alimentos, capoeira, amor, aprendendo a fumar, aprendendo Espanhol, lingística em geral, e outras cositas mas. Tudo ao mesmo tempo.
Um dos meninos, Chileno (?), chama-se Oscar. Eu mereço.
Lógica:
I am nobody.
Nobody is perfect.
Therefore:
I am perfect.
quinta-feira, julho 17, 2003
O Olho, O Espelho, A Cegueira
é na escuridăo que a luz sonha sua sombra
é na sombra que a luz repousa, respira, reluz
quero poder olhar dentro da noite
e descobrir seus sonhos
quero engolir escuridăo e beijar sua boca noturna.
quero esquecer qualquer luz
para reencontrar as nóduas das primeiras paredes.
quero chorar quando romper o sol
e alongar meu silęncio.
quero sair da primeira pessoa.
a luz morre e nasce como a onda no mar.
cegueira, onde o horizonte está ao alcance das măos.
Emanoel Candeias
vontade
de vocę.
de seu corpo,
do seu peso me cobrindo.
vontade de te abraçar
com meus braços
com minhas pernas.
com tudo o que tenho.
vontade de ser só tua.
pressa
de saber
o que vai ser de nós.
pressa porque năo posso esperar.
pressa porque sou jovem.
năo aguento esperar.
mas toda a minha vontade
e toda a minha pressa
năo adiantam o destino.
só me resta esperar.
năo aguento,
mas espero.
um dia, talvez,
tudo isso vai acabar.
quarta-feira, julho 16, 2003
Cores de Paris
Ben Harper vem pra Paris, e ninguém está querendo gastar 30 Euros pra ir comigo. Foda. Năo sabem o que é bom nessa vida!
Pinga, Nina Simone, e amigos queridos que te dăo uma força cybernética. A vida é bela.
Novidade do dia: Pinga preenche buracos existenciais.
Estou decepcionada. Muito. Cara, a gente faz um trabalho, um site com todo o amor e carinho do mundo. Daí chega o dono do site, muda as cores, coloca uns negócios horríves por todo canto, e fica todo feliz com o resultado. Foda. Comprou até o nome, tudo oficial. E isso vai pro ar com meu nome escrito em cima. Que vergonha. Que decepçăo. Puta artista cheio de talento, que năo sabe escolher 3 cores que combinam...
terça-feira, julho 15, 2003
Uma terça feira com gostinho de segunda. Ontem foi feriado. Teve fogos de artifício e desfile de militares ridículos no Champs Elysees. Eu fiquei quietinha em casa, trabalhando com meus clientes, meus sites, fingindo que năo sabia de nada. Fui correr ŕ noitinha, quando estava menos quente. Arranjei um namorado! Um carinha africano, do Mali, veio correr atrás de mim, dizendo que NUNCA faz isso com mulheres, mas fez uma excepçao, por causa da minha beleza excepcional. Será que esses caras acham que a gente acredita em baboseira como essa?
Mas agora é terça, estou sozinha no escritório, para resolver os problemas de meus queridos colegas que estăo todos de férias. Tenho que dar uma apresentaçăo de merda, que năo tem nada a ver com nada do meu emprego, mas que ninguem mais quer fazer. Merda, merda, merda.
segunda-feira, julho 14, 2003
o que me separa de vocę agora?
um aviăo,
um oceano,
outros planos.
e muitos enganos.
Zélia Duncan
domingo, julho 13, 2003
Should I stay or should I go?
Eu ja vivi em 4 países, năo sei nem quantas casas, năo sei quantas mudanças foram. Mas o engraçado foi que eu nunca mudei por decisăo própria. Sempre foram as forças do além que me obrigaram. Agora, com quase 28 anos, tenho vontade de tomar a decisăo sozinha, por mim. Quero voltar pro Brasil. Foram quase 9 anos de Paris. Acho que chega.
Mas agora que resolvi que quero resolver, năo sei mais o que quero. O medo de recomeçar tudo é muito grande. Voltar pro Brasil significa ficar, pelo menos por uns tempos, na casa de meus pais. Năo sei que aguento. Significa começar tudo de novo com o trabalho, procura de emprego, decisăo de carreira, etc. O que será que quero ser quando crescer? Será que vou conseguir? Sou muito velha pra ficar presa, sem ideias do que fazer.
Ontem, numa tentativa de mudar alguma coisinha mínima da minha vida, minha irmă cortou meu cabelo. Nada de drástico. Mas foi bom ter feito. Saímos de bicicleta (a que compraram pra repor a minha roubada - uma merda) e fomos encontrar Maria em Odeon. A lua está cheia, linda. Fomos pra Pont des Arts, ver a lua, beber vinho tinto barato, e conversar com estranhos. Ganhei uma tatuagem de Henna no braço, de Eduardo, um Chileno bonito.
sexta-feira, julho 11, 2003
Como é que uma mesma pessoa pode escrever "Os Normais", e "A Sombra das Vossas Asas"? Năo entendo. Os dois săo maravilhosos. Mas săo opostos, tăo diferentes como eu e o meu menino. Acho que a modinha de escritoras jovens e tatuadas está ficando cafona no Brasil. E acho que estampar a sua fotografia na capa de um livro que voce escreveu é muito pra minha cabeça. Mas Fernanda Young escreve bem demais. Como é bom entrar em sua cabeça, pelos menos durante o tempo de meu trajeto diário no metro abafado dessa cidade.
Pílulas
Dia inutil no trabalho. E estou me entupindo de pílulas. Eu tive um namorado, uma vez, que nao tomava remédios. Nao tomava mesmo. Eu achava o máximo. E muito saudável. Queria adotar a pratica. Mas fica complicado. Mulheres tem que tomar anticoncepcional. Năo vejo alternativa. E mulheres com enxaqueca tem que tomar alguma coisa pra aliviar. Eu tenho minhas super-pilulas-mágicas-de-dores-de-cabeça-fodonas. Elas săo lindas, aerodinâmicas e azulzinhas. E carríssimas. Mas eu amo elas. Estou tentando controlar o vício. Entăo mudei pra outra coisa agora. Vamos ver. Ontem cheguei em casa do trabalho e só durmi. Está na hora de acabar com essa palhaçada. Minha cabeça precisa parar de doer.
Ele ligou. Me derreti todinha de novo. Tenho que ligar de volta mais tarde. Que porra! Isto é contra todos os meus princípios de mulher emancipada independente. Isso vai contra a minha filosofia de vida. Mas fazer o que? Nessa minha vidinha, nessa minha incarnaçăo, he's got the power.
Coloquei minhas beds em dia... Que emoçăo!
quinta-feira, julho 10, 2003
Caralho - ou O Poder da Mente
Bom, tudo bem, nao é o da minha mente, mas da mente do roomeite. A minha mente năo tem poder nenhum. Se tivesse, eu năo estaria nessa situaçăo de merda.
Olha só: eu fui convidada a trabalhar num site de um filme (muito ruim) chamado Shadow Girl. Fiz um monte de trabalho pra eles, mas eles nunca me davam o material prometido, era uma zona. Um belo dia, depois de me prometerem pela 5689435a vez que me mandariam os textos/imagens/sons/videos, eles desapareceram. O roomeite me perguntou agora pouco se eu tinha novidades deles, porque devem uma graninha pra ele. Nao tinha novidades, claro. Dei uma olhadinha onde deveriam colocar meu site, e tem um outro, todo terminado, em Flash, no lugar. Ou seja, dispensaram minha ajuda (grátis) e nem me avisaram de nada.
E năo é que o celular toca 10 minutos mais tarde, e era ela, dona Shadow. Năo atendi pois estava em reuniăo. Mas porra, fazem literalmente meses que năo falava mais come eles. E nem pensava mais neles (imaginei que teriam feito uma merda dessas com o site). E foi só o roomeite dizer isso, e pumba!
Bom, năo deixaram recado, e eu também nao ligo de volta pra quem me faz de otário.
Algum lugar nessa história deve ter uma liçăo a ser aprendida. Ainda năo sei qual é. Derrepente está na hora que parar de trabalhar de graça? Ou talvez esteja na hora de colocar meu roomeite num pedestal, e respeitar seus super-poderes?
Hum...
O Rio de Janeiro continua lindo
O roomeite năo pode ficar sabendo, mas achei o Rio um tesăo. Passei 4 dias lá, com o menino daqui. Minha amiga Mari descobriu uma apresentaçăo de dança na "Chacara do Céu". Uma velha mansăo em ruínas, em Santa Tereza. Pegamos o bondinho que atravessa os arcos da Lapa, e chegamos lá. Eles refizeram as ruinas, colocando umas escadas em metal pelo lado de dentro, reconstruindo uma estrutura louquissima. Ficou muito legal. E tinha gente dançando no meio do povo, um DJ, comidinhas e bebidas. Foi show!
Depois também visitamos o Jardim Botânico, as praias, etc. Teve um dia que teve um grupo enorme batucando, uma puta bateria, pela rua da praia de Ipanema. Que delícia que é, esse Brasil.
Ontem, depois do trabalho, trabalhei num site, mandei e-mail pro cliente (olha a eficięncia!), e fui ver minha irmă. Estava num estado estranhissimo onde me sentia super feliz, mas tinha a impressăo que ia começar a chorar a qualquer momento. Louquissimo. Minha irmă (expert nessas coisas), disse que isso é muito comum logo antes de ter um "nervous breakdown" (năo sei como se chama isso em Portuguęs). Acho que está mais pra distúrbios hormonais femininos. Enfim...
Saimos com um monte de meninas, e o pobre José, pr'um bar em Saint Sébastien Froissart. Fumei, bebi, conversei com garotinhos de 20 aninhos, e me senti humana novamente!
quarta-feira, julho 09, 2003
Garota ishperrrrrrrrrta! Gostei muito. Ela deve ser assim por causa do nome, só pode ser isso...
Alguem disse que a melancolia é necessária pro processo criativo. Pois é. De melancolia tenho um monte. Mas onde está a criatividade? Hoje năo tenho nada pra dizer.
Algumas das pérolas que entraram no meu blog por causa de um "search" viajado:
getawife.net
bs brilho santo
homen bolha
mulheres feias acabadas
historias para pre-adolescente
blogspot gostosas fotos peladas mulheres
nao consigo instalar battlefield
dispensa do trabalho atleta
quase- luis verr%c3%adssimo
videos de estupros
videos acidentes violentos
sapato chanel
aneis chanel
sogrinha tesao
engolir porra
fotos de velinhas peladas
brasil mulher bundinha
videos engra%c3%a7ados gordas
artigo sobre homosexualismo
o %c3%b4nibus lotado e ela encostando
ensinando fazer crochet
filme crazy people muito doidos
normal people nutters
cartas de magic para vender
como concertar impressoras
videos se vier te buscar
%27%27fotos de como enlouquecer um homen na cama%27%27
movie desfile de mulheres peladas
livros gratis bukowsky
v%c3%addeos fotos imagens de estupros
homen %c3%a9 tudo palha%c3%a7o blog
foto do trem eurostar
Cara, de onde tiram essas ideias?????
Gostei do ibope por causa da palavra Chanel !!!!!!!!!!!!!!!!!!
Mas o que é um homen bolha? E velinhas peladas? Santo!
terça-feira, julho 08, 2003
Olha só que louco: minhas camas estăo completamente desatualisadas. Desde que saí de férias. Mas a coisinha do roomeite continua indo lá pra ver, várias vezes por mes. Meu projeto doido de maluco atrai sua desconfiança, e atiça suas neuras. Porque será que ela tem tantas duvidas sobre minha vida?
Pode ser, sim, mas será?
Sou ladra. Roubei. Nem pedi permissão.
Mas esse cara escreveu exatamente o que passa pela minha cabeça, então nao deu pra evitar:
Pode ser...
Pode ser que nunca mais ficaremos juntos.
Pode ser que jamais conseguirei te conquistar.
Pode ser, também, que năo seja para ser.
Mas pode ser que năo. Pode ser lindo.
Posso até acreditar em destino.
Mas prefiro crer que nós mesmos o moldamos.
Pode ser tudo que desejamos, ou năo.
Mas prefiro crer na esperança.
Esperança de que um dia,
Tudo poderá ser diferente, ser real.
Pode ser que nunca desista de vocę.
Mas pode ser que aconteça, infelizmente.
Continuo a crer no amor e na esperança.
Continuo a crer em você.
By Russo
Back to life, está na hora de recomeçar o trampo. Tenho que terminar os sites, urgentemente. Hoje ŕ noite, Adail passa em casa pra falar sobre um site da Maison du Pif. Tesăo. Tomara que de certo. Mas se for o caso, tenho que terminar os outros. Boa maneira de esquecer do resto da vida fudida. É isso aí my bróde! Bola pra frente Brasil.
Decandęncia
É dormir vestida.
Acordei as quatro da matina, vestida, na minha cama. Foda.
Fui ver minha irma depois do trabalho. Gritar com ela por ter emprestado minha bicicleta, que foi roubada.
Ela me diagnosticou: depressăo.
Minha maninha é rainha da depressăo.
Deve ser TPM, ou o estado da lua (minguante? crescente?).
Post-Brazil blues.
Acho que estou passando pela crise dos 28 anos, do Rudolf Steiner. Faz sentido.
Acho que deve ser isto.
segunda-feira, julho 07, 2003
E eu, que estava achando que ia passar meu mes no Brasil, e resolver minha vida. Ha! Fui la, vi meu amor, vi meu menino daqui, chorei, ri, me desesperei, briguei com minha mae, conversei com minha mae, ri com minha mae, vi meus amigos, e amei todos eles.
Voltei.
Ainda nao sei o que fazer. Meu amor impossível continua impossível. E sem soluçoes. Mas ainda nao sou capaz de soltar minha esperança ridicula de que tuda vai dar certo, só porque eu quero tanto. Entao vai continuar na mesma. Ainda nao entendo nada, e acho que nunca vou entender.
Meu menino daqui continua difícil. chato, e bom companheiro. Continua me dando a maior força e me irritando. Continuo sem saber o que fazer com ele tambem.
Everything changes, but everything stays the same.
Um e-mail que recebi de uma grande amiga:
Meninas,
Um libelo a nossa liberdade, vamos parar de ser cidadăs de segunda, esse texto expressa o alerta que toda mulher do 3ş milęnio tem que se conscientizar, parar de ser machista e criar homens machistas, năo ceder ŕ sociedade de consumo, se dar o devido valor. Nós somos, fazemos e vamos transformar o mundo !
Cla.
MAIS MACHO QUE MUITO HOMEM
Rita Lee
Eu tinha 13 anos, em Fortaleza, quando ouvi gritos de pavor. Vinha da vizinhança, da casa de Bete, mocinha linda, que usava tranças. Levei apenas uma hora para saber o motivo. Bete fora acusada de năo ser mais virgem e os dois irmăos a subjugavam em cima de sua estreita cama de solteira, para que o médico da família lhe enfiasse a măo enluvada entre as pernas e decretasse se tinha ou năo o selo da honra. Como o lacre continuava lá,os pais respiraram, mas a Bete nunca mais foi ŕ janela, nunca mais dançou nos bailes e acabou fugindo para o Piauí, ninguém sabe como, nem com quem.
Eu tinha apenas 14 anos, quando Maria Lúcia tentou escapar, saltando o muro alto do quintal da sua casa para se encontrar com o namorado. Agarrada pelos cabelos e dominada, năo conseguiu passar no exame ginecológico. O laudo médico registrou "vestígios himenais dilacerados", e os pais internaram a pecadora no reformatório Bom Pastor, para se esquecer do mundo. Realmente esqueceu, morrendo tuberculosa.
Estes episódios marcaram para sempre a minha conscięncia e me fizeram perguntar que poder é esse que a família e os homens tęm sobre o corpo das mulheres. Ontem, para mutilar, amordaçar, silenciar. Hoje, para manipular, moldar, escravizar aos estereótipos.
Todos vimos, na televisăo, modelos torturados por seguidas cirurgias plásticas. Transformaram seus seios em alegorias para entrar na moda da peitaria robusta das norte americanas. Entupiram as nádegas de silicone para se tornarem rebolativas e sensuais, garantindo bom sucesso nas passarelas do samba.
Substituíram os narizes, desviaram costas, mudaram o traçado do dorso para se adaptarem ŕ moda do momento e ficarem irresistíveis diante dos homens. E, com isso, Barbies de fancaria, provocaram em muitas outras mulheres - as baixinhas, as gordas, as de óculos - um sentimento de perda de auto-estima. Isso exatamente no momento em que a maioria de estudantes universitários (56%) é composta de moças. Em que mulheres se afirmam na magistratura, na pesquisa científica, na política, no jornalismo. E no momento em que as pioneiras do feminismo passam a defender a teoria de que é preciso feminilizar o mundo e torná-lo mais distante da barbárie mercantilista e mais próximo do humanismo.
Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade. Até porque elas săo desarmadas pela própria natureza. Nascem sem pęnis, sem o poder fálico da penetraçăo e do estrupro, tăo bem representado por pistolas, revólveres, flechas, espadas e punhais. Ninguém diz, de uma mulher, que ela é de espadas.
Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico, como fazem com os meninos, para fortalecer sua virilidade e violęncia. As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque tęm que derramá-lo na menstruaçăo ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivęncia e os colocam na marginalidade, na insegurança e na violęncia. É preciso voltar os olhos para a populaçăo feminina como a grande articuladora da paz. E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher. Respeito ŕs suas pernas que tęm varizes porque carregam latas d'água e trouxas de roupa. Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos. Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas. Săo as mulheres que imporăo um adeus ŕs armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer a ternura de suas mentes e doçura de seus coraçőes.
"Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda. E meu peito năo é de silicone; sou mais macho que muito homem"
Rita Lee
Betty Blue, de Philippe Djian
She smiled. Yes, exactly, she smiled-and against that I was defenseless. The world became insignificant. She disarmed the slightest attack. I could carry on all I wanted for show, but the poison had already reached my brain. What was this little dried-out, shrivelled-up world next to her? What was anything worth next to her hair, her lungs, her knees, and all that went with it-could I ever need anything else? Wasn't what I had something enormous, alive? It was only thanks to her that I didn't feel like a total piece of shit. I was willing to pay any price for that. It wasn't that I'd reduced the whole world down to Betty-it was just that I didn't care about the rest. She smiled, and my anger disappeared like a wet footprint in the burning sun. It would always amaze me.
Cara, que lindo. O que se pose dizer sobre um texto tao lindo? Me inspirei na Wonderella e comprei o livro. Caralho, que coisa linda, essa historia.
De volta a vidinha, banal. Acordo, banho, escova de dentes (dele), roomeite, metro, emprego. Sera que toda vida é banal? Sempre?
Fora aqueles momentos, quando a gente atravessa a rua e divide um sorriso cumplice; ou quando a gente acorda, e ele se espreguiça do nosso lado, e diz que nao quer sair dali; ou quando a gente ve aquela onda no mar, e percebe que tudo vale a pena.
Mas o resto do tempo, banalidade.
domingo, julho 06, 2003
Que merda, que merda, que merda. Nao quero estar aqui. Quero estar la. Com meu amor fudido, com o transito, a poluiçao, os assaltantes, telefonemas no meio da noite, e meu amor que nao entendo e que nao me entende. Que merda. Paris toda linda, verao, um monte de sites a fazer, viagens do trabalho a programar. Que merda. Nao quero estar aqui.
Queridos amigos, queridos leitores, queridos ilustres desconhecidos,
Uma dica para a vida de voces, do fundo do coraçao: nao usem TAP. Mesmo. Usem qualquer outra linha aerea, qualquer uma, mas nao TAP. Os 50 dolares que voce vai pagar de diferença para pegar, por exemplo, a TAM, valem a pena.
Eu tive um voo Sao Paulo - Porto, pra depois voar pra Paris. Pequeno detalhe que esqueceram de mencionar foi que o voo a Porto era via Lisboa! E o voo de Lisboa a Porto (o mesmo que o Sao Paulo - Lisboa, alias) era dentro de um outro aviao. Só a TAP é capaz de te vender um mesmo voo que chega numa outra cidade, e para o qual voce vai ter que trocar de aeronave!
Mas tudo bem, tudo bem, o mocinho simpatico me conseguiu um asento na janela, afinal de contas, com muita boa vontade.
Dai começou o filme. Aqueles bonitinhos, romanticos, onde a bela mocinha e o gala se atrapalham durante todo o filme. Daí, no finalzinho, a cena dramatica, ele sai de moto atras do taxi dela em Nova Iorque. Consegue alcança-la, e na hora da conversinha onde tudo vai ficar as mil maravilhas, BUM, corta o filme. Sem maiores explicaçoes.
Esperamos todos com a maior expectativa. Dai começou de novo, a telinha faiscava, mas em vez da cena final do filme, começaram um outro filme. Uma comédia. Nao precisa nem dizer que bem no finalzinho a mesma coisa. BUM, acabou tudo. Nao vimos o final de nenhum filme.
Mas tudo bem, paciencia, né? Chegamos em Lisboa. A parte engraçada foi que o voo chegou atrasado, entao todas as pessoas com conecçoes (inclusive nos, que seguiamos no MESMO VOO pra Porto) ficamos ilhados no meio de uma salinha minuscula, sem nenhuma explicaçao. Um tempao, em pé, sem nem saber se estvamos no lugar certo.
Depois conseguimos um voo, que alias, foi direto pra Paris. E pasme, milagre, nem perderam a nossa bagagem.
Mas sinceramente, nao vale a pena. Paguem a diferença, e usem outra coisa!
Voltei ao primeiro mundo! Foi duro o regresso, mas cheguei em casa. Cada vez fica mais dificil de sair do Brasil. Este país é um antro de mau humor, quero o meu Brasil de volta!!!!
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